segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Deus Soberano

Hoje meu filho completaria 10 anos de idade. Depois de tanto tempo... as lembranças daquele 04 de maio continuam vivas e coloridas em minha mente. E assim sempre será. Não há como passar em branco – fingir que não lembro, que não revivo um pouco de tudo. Ser pai é para a vida toda.

Durante todos esses anos tenho passado por essa data com sentimentos controversos – lidando com o sofrimento propriamente dito, ainda me lembro da dor ao olhar para o salão onde comemoraríamos o primeiro ano dele. Depois, e numa mistura simultânea de todos eles, passei pela frustração, pela autocomiseração, e até mesmo pela inveja – ao ver pais brincando com seus filhos no parque ou andando no shopping. Sim, diante do maior deserto da minha vida pude observar o quanto meu coração abrigava (e abriga) sentimentos que são contrários ao caráter de Deus.

Sim, o homem se rebelou contra Deus (Gênesis 3) e desde então tem experimentado “o sabor” do conhecimento do bem e do mal. E no que diz respeito ao mal – ao olharmos para o nosso próprio coração e ao que a humanidade tem produzido desde então – temos a certeza de que quando Deus disse que o homem certamente morreria ao comer do fruto proibido – Ele não estava mentindo. E nem poderia, pois o Deus criador de todas as coisas é a própria verdade.

Mas diante do sofrimento – desde aquele que bate a nossa porta e entra sem pedir licença; até aquele que por estar do outro lado do mundo não sentimos com a intensidade que talvez devêssemos sentir (o Nepal, dentre tantas outras tragédias, é um exemplo recente disso)... nossa tendência é nos levantarmos contra Deus e questionar. Ou para aqueles que não acreditam nEle – a tendência é esbravejar diante de todos sua certeza oca: “Deus não existe.”

O Deus que tenho conhecido – e que tem me mantido de pé – mesmo em meio as adversidades – é um Deus Soberano. Esse atributo O revela como tendo o controle de tudo. Ou seja, nada foge do Seu plano e de Seus propósitos. A maneira como reagimos a esse plano e a esses propósitos revela quem somos. Uma atitude de humildade, de reverência diante do Senhor Soberano é necessária quando os problemas e a dor tomam forma em nossas vidas. A mesma atitude deve ser evidenciada nos momentos de alegria, de tranquilidade. Ele é Soberano sobre a história: a sua e a da humanidade. - e para Ele não existe um plano B.

Em Cristo somos capacitados a reconhecer quem somos (Romanos 3.23: “todos pecaram e carecem da glória de Deus"); é nEle e somente por intermédio dEle – que o homem pode se achegar até o Deus verdadeiro (1 Timóteo 2.5-6: “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo").
E é nEle também que o homem é capaz de reconhecer e de se submeter a vontade perfeita do Deus único, verdadeiro e soberano.

Abaixo trecho do livro de A.W. Pink (Os Atributos de Deus) citando Spurgeon:
"Não há atributo mais consolador para os Seus filhos do que o da soberania de Deus, Sob as circunstâncias mais adversas, em meio às mais duras provações, eles crêem que Deus na Sua soberania ordenou as suas aflições, que Ele as dirige soberanamente, e que na Sua soberania santificará todas elas? Para os filhos de Deus não deveria haver nada por que lutar mais zelosamente do que a doutrina de que o seu Senhor domina toda a criação — do reinado de Deus sobre todas as obras de Suas mãos — do trono de Deus e Seu direito de ocupar esse trono. Por outro lado, não há doutrina mais odiada pelos mundanos, nenhuma verdade de que tenham feito joguete a tal ponto como a grandiosa, estupenda, porém certíssima doutrina da soberania do infinito Jeová.
Os homens se dispõem a permitir que Deus esteja em toda parte, menos no Seu trono. Dispõem-se a deixá-lo em Sua oficina formando mundos e criando estrelas. Deixarão que esteja em Seu dispensário a distribuir esmolas e a conceder be­nefícios. Permitirão que fique sustentando a terra e mantendo firmes as suas colunas, que acenda os luzeiros do céu e governe as irrequietas ondas do oceano; mas quando Deus sobe ao Seu trono. Suas criaturas rangem os dentes, e quando nós proclamamos um Deus entronizado, e Seu direito de fazer o que quiser com o que lhe pertence, como também de dispor de Suas criaturas como Ele achar melhor, sem consultá-las sobre a questão, então os homens nos vaiam, nos amaldiçoam e se fazem de surdos para não nos ouvir, porquanto Deus no Seu trono não é o Deus que eles amam. Mas é Deus no Seu trono que muito nos agrada pregar. É em Deus no Seu trono que confiamos".


Sim, eu confio. E sei que em breve nos veremos.

5 comentários:

  1. Que Deus continue confortando seu coração. Paz.

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  2. Deus escolhe os iluminados para passar a diante sua palavra, infelizmente alguns através da dor que encontram o caminho. Continue forte e com a certeza que muitos através de ti estão recebendo a palavra de conforto, paz e fé. Bjs

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Parabéns Pedro, você é um exemplo para muitos, vejo Cristo em ti.

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