quinta-feira, 24 de julho de 2014

Bolívia - Viagem Missionária

O desejo de conhecer os trabalhos desenvolvidos na Bolívia surgiu durante a Conferência Missionária do SBPV no ano passado. Neste ano (2014), a vontade se transformou em sonho e o sonho compartilhado se tornou realidade para a equipe formada por mim e mais quatro colegas do curso de teologia (Diego Abrantes, Flávia Ribeiro, Janaína Andrade e Mateus Zabini). Logo após o encerramento das aulas embarcamos em uma viagem que incluiu kombi, avião, ônibus e carro. As expectativas eram gigantescas, mas certamente, nenhum de nós poderia imaginar que aquele era o inicio de uma grande aventura. Uma aventura que deixaria frutos eternos no coração dos que ficaram – mas especialmente, em nossos próprios corações.

A cidade, que faz fronteira com Corumbá, Mato Grosso do Sul, era Puerto Suarez. Uma cidade pequena – não muito diferente do contexto de algumas cidades do interior do Brasil, cuja as ruas não são asfaltadas, e onde não existe transporte público. A diferença é que em Puerto Suarez, assim como em toda a Bolívia, não existe um sistema único de saúde. Ou seja, diante de alguma necessidade médica a população precisa pagar pela consulta, pelos exames, e é claro, pela medicação. A situação se torna ainda mais difícil em virtude das condições da água (nem todos possuem um lugar apropriado para armazenamento). O governo aparentemente se demonstra omisso (e nesse sentido não é tão diferente do Brasil).

Antes de continuar a leitura assista o vídeo com os pontos altos da viagem:


Mas dentre essas e outras dificuldades encontramos um povo hospitaleiro – que tem como principal característica a perseverança. Essa afirmação não é mais uma daquelas frases prontas. Pude perceber essa realidade na vida de alguns irmãos da igreja com a qual trabalhamos, a Congregacion Bautista El Rey de Gloria: o pastor (Ronald Espinoza) trabalha secularmente cerca de 12 horas por dia, e mesmo assim consegue tempo para participar dos cultos que ocorrem em quase todas as noites – a igreja não tem condições de sustentá-lo de forma integral, o que é imprescindível na realidade daquela igreja. Já o irmão Francisco (Pancho) e sua esposa, Eva, doaram uma parte do seu terreno para que a igreja fosse construída, e não apenas isso, uma das paredes da igreja é a da sua própria casa, ou seja, as janelas dos quartos têm saída para o lugar onde ocorrem os cultos. Há irmãos nossos realmente pagando o preço da perseverança – por amor ao evangelho. Em outras palavras – existe alguma razão para a murmuração? Ou já é hora de focar naquilo que realmente vale a pena? – Os trabalhadores são realmente poucos. 



Wilmam
Evangelismo – Uma grande alegria foram as oportunidades que tivemos de evangelismo. Particularmente pude explicar o plano de salvação para homens, mulheres, jovens e crianças. Alguns ainda não haviam escutado de forma clara – e explicar à luz das Escrituras – foi um grande privilégio. Em uma das tardes em que saímos para convidar as crianças do bairro para a Escola Bíblica de Férias – tive a oportunidade de conversar com Wilmam (15 anos). Saímos em dupla e depois de percorrermos algumas ruas do bairro questionei se ele já havia entregado sua vida aos cuidados de Cristo, se Ele já havia reconhecido que Jesus Cristo – é o caminho, a verdade e a vida. A resposta do Wilmam me surpreendeu: Não!
Apesar de ter crescido na igreja ele ainda não havia tomado uma decisão real por Cristo. O convite para as crianças foi interrompido, e Wilmam pode ouvir, compreender e aceitar o convite do próprio Deus. Foi inesquecível.

Deus também nos deu o privilégio de ganhar a confiança de alguns jovens – e assim tivemos a oportunidade de aconselhar alguns deles. É muito bom encontrar jovens sedentos, que desejam agradar a Deus – que se mostram disponíveis, acessíveis. Com eles também realizamos um “acampadentro”  - o que de acordo com a liderança foi muito significativo – por ter integrado os jovens e dado um novo fôlego para o ministério.


Outra oportunidade de evangelismo foi uma programação que realizamos na praça central da cidade – com malabares, pantomima, música. Lá conheci Emanoel, um senhor já com 75 anos, brasileiro – de Salvador. Conversando descobri que Seu Emanoel já integrava a igreja, mas estava afastado. Vê-lo retornando e se reconciliando com o Senhor foi emocionante. Quando nos encontramos no culto do dia seguinte, seu Emanoel testemunhou tudo o que o Senhor já estava operando em sua vida – ele estava passando necessidade, e o Senhor já havia lhe dado um trabalho. Não sou adepto da teologia da prosperidade. Mas é muito bom ver Deus agindo de acordo com Seus propósitos. Glória a Deus por isso.

EBF – Mais uma vez a história da Maquina do Tempo, atraiu cerca de 40 crianças durante três dias. Em cada dia as crianças ouviram alguns personagens bíblicos que tiverem um encontro com Jesus (a mulher samaritana, Zaqueu e Maria (a irmã de Lázaro)).




Pregação, aulas e visitas também integraram o tempo junto à igreja. Em cada oportunidade pude destacar a importância do discipulado como uma ferramenta indispensável para o amadurecimento da igreja.











Orfanato – Expedição Mochila: Não tivemos muitas oportunidades com as crianças, pois o orfanato estava de mudança – e as crianças passaram um tempo das férias escolares com familiares ou membros da igreja. Orem pelo fortalecimento das missionárias Luciene e Miriã – que moram com as crianças no orfanato. E pelo missionário Ricardo Ricco – que também contribui para que esse projeto vá adiante.

Casa de detenção: Durante duas terças-feiras visitamos uma casa de detenção – onde vivem alguns presos e presas (no mesmo ambiente) que aguardam julgamento. Lá pude falar sobre a esperança que há em Cristo Jesus para um grupo que já se reúne regularmente – homens presos, mas que já se encontram livres. Esse é o poder do Evangelho. No primeiro dia, do portão já era possível ouvir o louvor que cerca de 20 homens entoavam. Conhecemos a história de alguns deles. E tivemos o privilégio de ver um daqueles jovens fora da prisão – frequentando o grupo de jovens na igreja.


Santa Cruz – Durante três dias estivemos em Santa Cruz – oito horas de Puerto Suarez – a cidade é mais urbanizada; e o trânsito lembra em muito a Índia – muita gente, e cada um faz o que bem entende. Ficamos instalados no orfanato Esperanza Viva – que tem capacidade de abrigar cerca de 120 crianças. Infelizmente, este orfanato está abandonado. O governo fechou as portas alegando falta de segurança, e pessoas capacitadas para trabalhar na instituição. Bom, não deixa de ser verdade. Mas o triste é que bem ao lado, não mais que 200 metros, existe um presidio com mais de 4 mil detentos, em que vivem cerca de 400 crianças. A incoerência é gritante. O que é melhor, uma criança não ter um psicólogo, pediatra - 24 horas por dia a sua disposição, ou viver em um ambiente degradante como é um presídio? É claro que é necessário fiscalizar os orfanatos. Mas a razão pela qual o governo prefere não investir em instituições como a que encontramos em Santa Cruz – permaneceria um mistério – se não tivéssemos a perspectiva espiritual de toda a situação. Verdadeiramente, esse mundo jaz no maligno.

 







Cultura e Curiosidades:
Comida: Destaque para a sopa de mani (amendoim); o jacaré à milanesa; e o suco de milho;

 







Aventura Sinistra: uma aranha gigante subindo pelo esgoto do vaso sanitário. Ainda bem que esse incidente ocorreu dois dias antes do nosso retorno. Caso contrário as idas ao banheiro teriam sido muito tensas (hehehe);

 










Transporte: como não havia transporte público na cidade – andávamos a pé e de táxi. Pasmem, o táxi custava apenas 2 bolivianos, ou seja, R$ 2,00 pagava tudo e ainda sobrava.

Motivos de Oração:
Igreja local:
- pelo fortalecimento do pastor Ronald, e sua esposa, Mercedes. Para que seja possível o trabalho em tempo integral junto à igreja. Esse é um desejo do casal – que tem quatro filhos. Ore pelo sustento financeiro.
- pela estrutura do local de cultos – não há vidros nas janelas, e há partes que ainda não possuem telhado.
- por amadurecimento da liderança – nos diferentes ministérios, especialmente no de jovens;
- pelo adolescente Wilmam – que aceitou a Cristo;
- pelo jovem Raul;

Orfanato:
- pela vida das 15 crianças;
- pela saúde – física, emocional – das missionárias Luciene, Miriã; Diego, Ricardo e família;
- pelo trabalho desenvolvido na prisão;