domingo, 16 de setembro de 2012

Um novo amor

Idealismo Mundano X Padrão Bíblico


É interessante perceber, agora que já estou praticamente às vésperas dos trinta, a pressão que há sobre as questões do coração. Sutilmente, e às vezes não tão sutilmente assim, as pessoas perguntam minha idade... e como quem não querem nada logo insinuam que o tempo já é chegado. Se pudessem gritariam “O tempo urge, meu filho!”, como se não fosse algo registrado a cada tic-tac do relógio.

O que fazer quando o amor não chega? Como lidar com as expectativas da família, ou do grupo de amigos que um após o outro vai encontrando a famosa “alma gêmea”, enquanto você permanece sozinho? Existe algum culpado? Se existe, saiba que ele pode ser você.

Permanecer sozinho com a sensação de que o amor não chega – pode ser opcional. Claro, não estou descartando a ideia de que você pode glorificar a Deus sendo solteiro – e de que isso agrada o coração de Deus, mas é opcional na medida em que os nossos critérios de escolha estão baseados em um padrão que não é propriamente o bíblico. E assim, sem perceber, descartamos as pessoas – potencialmente bons cônjuges - em virtude de um padrão oferecido pela lógica da moda, da beleza, do materialismo, do que os outros irão dizer (do mundo): são os solitários por opção, ainda que insistam em afirmar que Deus não lhes deu nenhuma oportunidade para o amor. Na verdade, crentes em meio a uma guerra que envolve o idealismo mundano e o padrão bíblico.
Mas qual seria exatamente o padrão bíblico para escolher a pessoa com que você irá desfrutar uma vida a dois – até que a morte os separe?
O ponto de partida básico diz respeito à fé – ambos precisam desfrutar de uma íntima e pessoal comunhão com o Deus vivo por intermédio de Cristo. Sem esse pressuposto não há como fazer uma boa escolha seguindo o padrão bíblico. É necessária uma mesma perspectiva de vida, com os mesmos parâmetros morais, éticos e porque não dizer sociais – uma vez que o evangelho transforma cada uma dessas áreas direta ou indiretamente.

Parece óbvio, mas muitos têm se aventurado – iniciando relacionamentos com descrentes - na esperança de que estes algum dia se submeterão a Cristo; com raríssimas exceções é exatamente o contrário que ocorre – e muitos abandonam a fé demonstrando na prática quem realmente era o dono de seus corações.
Conscientes deste fator limitador (protetor) – outros aspectos precisam ser levados em consideração dentro da perspectiva de escolha conforme o padrão bíblico, afinal de contas as igrejas estão cheias de crentes nominais – que aparentam ser o que nunca foram – não passam de religiosos em busca da autossatisfação.
Mas como fazer essa distinção? Uma vez que chegamos à conclusão (dentro de uma cosmovisão cristã, logo cristocêntrica) que necessariamente a fé em Cristo é um fator primordial para a construção de um relacionamento saudável – que tem como objetivo o casamento; O próximo passo diz respeito a como essa fé é vivenciada, e aqui dois aspectos podem ajudar: você deve levar em consideração a vida devocional, e o nível de envolvimento com a igreja local, o que não significa bater o cartão no domingo à noite, esquentando o banco, vivendo de forma apática.
Pelo fato de um padrão não bíblico estar ditando o que deve ser valorizado, perdemos tempo fazendo más escolhas. Com base na aparência, seguindo o modelo das revistas – estamos atrás do que é mais belo, mais sexy – esquecendo-nos deliberadamente de que tais aspectos são passageiros: “A beleza é enganosa, e a formosura é passageira.” (Pv 31.30a); O problema não está na beleza, mas sim no condicionar sua escolha a um padrão de beleza que nem mesmo as mulheres (e os homens) das revistas possuem, já que estamos na era dos “milagres tecnológicos”.
Não, não estou dizendo para você casar com o primeiro feio que aparecer na sua vida. Esta não é a questão. Mas o que faz com que você coloque ou retire pessoas da sua lista de possibilidades matrimonial? Lembre-se a formosura é passageira, e talvez você não precise do passar dos anos para descobrir isso – porque alguém que não tenha Cristo como o centro de sua vida, não tem nada para oferecer a não ser a ‘feiura’ do seu coração pecaminoso (Rm 3.23).
“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm.12.2); É exatamente isso que precisamos no fim das contas. Para não nos amoldarmos ao padrão deste mundo (em todas as áreas da nossa vida) é necessária uma transformação radical do nosso modo de pensar. Em se tratando da escolha do futuro cônjuge, significa dizer não para uma série de itens que já estão inculcados em nossa mente como sendo o padrão ideal: a beleza, o modo de se vestir, a segurança de um plano de carreira, etc. Alguns deles legítimos, mas que não devem se sobrepor ao caráter, a uma vida íntegra, a um verdadeiro compromisso com Cristo.

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