Hoje
meu filho completaria 10 anos de idade. Depois de tanto tempo... as lembranças
daquele 04 de maio continuam vivas e coloridas em minha mente. E assim sempre
será. Não há como passar em branco – fingir que não lembro, que não revivo um
pouco de tudo. Ser pai é para a vida toda.
Durante
todos esses anos tenho passado por essa data com sentimentos controversos –
lidando com o sofrimento propriamente dito, ainda me lembro da dor ao olhar
para o salão onde comemoraríamos o primeiro ano dele. Depois, e numa mistura
simultânea de todos eles, passei pela frustração, pela autocomiseração, e até
mesmo pela inveja – ao ver pais brincando com seus filhos no parque ou andando
no shopping. Sim, diante do maior deserto da minha vida pude observar o quanto
meu coração abrigava (e abriga) sentimentos que são contrários ao caráter de
Deus.
Sim,
o homem se rebelou contra Deus (Gênesis 3) e desde então tem experimentado “o
sabor” do conhecimento do bem e do mal. E no que diz respeito ao mal – ao
olharmos para o nosso próprio coração e ao que a humanidade tem produzido desde
então – temos a certeza de que quando Deus disse que o homem certamente
morreria ao comer do fruto proibido – Ele não estava mentindo. E nem poderia, pois
o Deus criador de todas as coisas é a própria verdade.
Mas
diante do sofrimento – desde aquele que bate a nossa porta e entra sem pedir
licença; até aquele que por estar do outro lado do mundo não sentimos com a
intensidade que talvez devêssemos sentir (o Nepal, dentre tantas outras
tragédias, é um exemplo recente disso)... nossa tendência é nos levantarmos
contra Deus e questionar. Ou para aqueles que não acreditam nEle – a tendência
é esbravejar diante de todos sua certeza oca: “Deus não existe.”
O
Deus que tenho conhecido – e que tem me mantido de pé – mesmo em meio as
adversidades – é um Deus Soberano. Esse atributo O revela como tendo o controle
de tudo. Ou seja, nada foge do Seu plano e de Seus propósitos. A maneira como
reagimos a esse plano e a esses propósitos revela quem somos. Uma atitude de
humildade, de reverência diante do Senhor Soberano é necessária quando os
problemas e a dor tomam forma em nossas vidas. A mesma atitude deve ser
evidenciada nos momentos de alegria, de tranquilidade. Ele é Soberano sobre a
história: a sua e a da humanidade. - e para Ele não existe um plano B.
Em Cristo somos capacitados a reconhecer quem
somos (Romanos 3.23: “todos pecaram e carecem da glória de Deus"); é nEle e
somente por intermédio dEle – que o homem pode se achegar até o Deus verdadeiro (1 Timóteo 2.5-6: “Pois há um só Deus e
um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por
todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo").
E
é nEle também que o homem é capaz de reconhecer e de se submeter a vontade
perfeita do Deus único, verdadeiro e soberano.
Abaixo
trecho do livro de A.W. Pink (Os Atributos de Deus) citando Spurgeon:
"Não há atributo mais consolador para os
Seus filhos do que o da soberania de Deus, Sob as circunstâncias mais adversas,
em meio às mais duras provações, eles crêem que Deus na Sua soberania ordenou
as suas aflições, que Ele as dirige soberanamente, e que na Sua soberania
santificará todas elas? Para os filhos de Deus não deveria haver nada por que
lutar mais zelosamente do que a doutrina de que o seu Senhor domina toda a
criação — do reinado de Deus sobre todas as obras de Suas mãos — do trono de
Deus e Seu direito de ocupar esse trono. Por outro lado, não há doutrina mais
odiada pelos mundanos, nenhuma verdade de que tenham feito joguete a tal ponto como
a grandiosa, estupenda, porém certíssima doutrina da soberania do infinito
Jeová.
Os
homens se dispõem a permitir que Deus esteja em toda parte, menos no Seu trono.
Dispõem-se a deixá-lo em Sua oficina formando mundos e criando estrelas.
Deixarão que esteja em Seu dispensário a distribuir esmolas e a conceder benefícios.
Permitirão que fique sustentando a terra e mantendo firmes as suas colunas, que
acenda os luzeiros do céu e governe as irrequietas ondas do oceano; mas quando
Deus sobe ao Seu trono. Suas criaturas rangem os dentes, e quando nós
proclamamos um Deus entronizado, e Seu direito de fazer o que quiser com
o que lhe pertence, como também de dispor de Suas criaturas como Ele achar
melhor, sem consultá-las sobre a questão, então os homens nos vaiam, nos
amaldiçoam e se fazem de surdos para não nos ouvir, porquanto Deus no Seu trono
não é o Deus que eles amam. Mas é Deus no Seu trono que muito nos agrada
pregar. É em Deus no Seu trono que confiamos".
Sim, eu confio. E sei que em breve nos veremos.
Que Deus continue confortando seu coração. Paz.
ResponderExcluirDeus escolhe os iluminados para passar a diante sua palavra, infelizmente alguns através da dor que encontram o caminho. Continue forte e com a certeza que muitos através de ti estão recebendo a palavra de conforto, paz e fé. Bjs
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ResponderExcluirParabéns Pedro, você é um exemplo para muitos, vejo Cristo em ti.
ResponderExcluirTestemunho encorajador!
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